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MPF denuncia novo esquema de desvio de verbas públicas na obra das Alças em Patos

MPF denuncia novo esquema de desvio de verbas públicas na obra das Alças em Patos

24/06/2025 às 13h48 Atualizada em 24/06/2025 às 16h48
Por: Ray Santana
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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, nesta terça-feira (24), mais uma denúncia no âmbito da Operação Outside, que investiga crimes de superfaturamento, desvio de recursos públicos e fraudes em licitações nas obras de restauração das Alças Sudeste e Sudoeste em Patos, no Sertão da Paraíba. A apuração, conduzida em parceria com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), aponta prejuízo estimado de R$ 949 mil, valor que ainda pode aumentar.

Segundo o MPF, a denúncia revela um “complexo esquema de desvio de recursos públicos e prática de crimes tributários” que teria beneficiado a construtora Cesarino Construções (Engelplan), com envolvimento de servidores da Prefeitura Municipal de Patos e outros empresários. Os recursos para a obra vieram de um contrato de repasse federal firmado com o Ministério do Desenvolvimento Regional, via Caixa Econômica Federal, em 31 de dezembro de 2020.

O contrato, de aproximadamente R$ 5 milhões, previa a execução da obra até o fim de 2024. Segundo a denúncia, a empresa teria vencido a licitação com uma proposta financeiramente inviável e, para “reequilibrar” o contrato, simulou justificativas técnicas frágeis, aumentando o valor em R$ 796 mil em apenas quatro meses. O MPF afirma que houve manipulação de planilhas, com prévio conhecimento das partes envolvidas, e que o engenheiro responsável atuava simultaneamente para a construtora e para a prefeitura.

Outro ponto destacado na investigação é um segundo superfaturamento de R$ 153 mil, relacionado a insumos asfálticos, baseado em índices inflacionados rejeitados pela CGU. A auditoria também identificou que a obra teve redução de qualidade, com materiais e técnicas inferiores às previstas em contrato, além de falhas estruturais detectadas pouco tempo após a conclusão.

Além disso, o MPF aponta um crime tributário: a empresa declarou gasto de apenas R$ 723 mil, omitindo notas fiscais e inflando artificialmente os lucros.

Entre os denunciados estão sócios da construtora, engenheiros e um secretário municipal, que poderão responder por crimes como peculato, fraude em licitação, crime fiscal e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a oito anos de reclusão.

A Operação Outside segue em andamento, com novas etapas previstas e foco na responsabilização dos envolvidos e na reparação ao erário público.

O Contexto News procurou a assessoria da Prefeitura de Patos para falar sobre o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Ray Santana - Contexto News

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