

Desde minha tenra infância carrego comigo o dom ou habilidade da escrita, sempre precoce e natural. Lembro que rabiscava tanto os cadernos que ouvia de minha mãe a velha bronca: "vais acabar com este caderno e não vou lhe comprar outro". Escrevia de tudo e diversificados temas, talvez não conscientemente, nascia ali o escritor - cronista que me tornaria, anos mais tarde e sobejamente desconhecido da grande massa. E, quem disse que o verdadeiro cronista precisa de uma massa de leitores? Escrevo, ainda hoje, pelo gosto incomensurável de ver as palavras unidas pela argamassa de minhas ideias, isto me compraz. Porém, a crônica desta semana, da qual fiz este preâmbulo é de homenagem ao inenarrável Luis Fernando Veríssimo, este sim Escritor e Cronista de renome, falecido nestes últimos dias do mês de agosto. Reconhecido pelas pérolas de sua escrita, marcou minha vida literária e, de certa forma, inspirou-me a também ser cronista da vida real, do dia-a-dia, da rotina e da mesmice criativa e inovadora. Afeito aos elogios exarcebados carregava num pote fechado um tesouro, que abria e compartilhava sempre com seus fiéis leitores, que obrigados a pensar, reagiam eufóricos ou reflexivos sobre seus textos. Da máquina de escrever à ponta dos dedos do teclado do computador, emergiam histórias, memórias e escorria a alma de um brasileiro notável que amava a família, o internacional e pudim. A caneta secou a tinta e o livro chegou ao último capítulo e agora se abriu o céu do Mestre Cronista, Veríssimo, verdadeiro legado imortal. Descanse na intranquilidade fosfórica de sua indignação com a morte, tanto quanto o fizestes com a vida. Carlos Ferreira da Silva | Contexto News *Os comentários emitidos pelos jornalistas, comentaristas e colunistas não necessariamente refletem a opinião da Contexto News, reforçam, entretanto, as liberdades de expressão e de comunicação.
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